Espaços de convivência, já ouviu falar em vagas vivas e parklet?

ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA, JÁ OUVIU FALAR EM VAGAS VIVAS E PARKLET?

 

Quando se pensa nas atribuições da profissão de Arquiteto, a primeira imagem que se vem à mente é a edificação, ou seja, arquiteto é o profissional responsável por projetar, supervisionar e executar a construção. Mas seu campo de atuação é extremamente amplo. Abrange também o planejamento urbano, a arquitetura paisagística, a arquitetura de interiores, o patrimônio histórico, cultural e artístico, o meio ambiente.

Nesse texto, coloquei atenção a um tema muito recorrente nas rodas de conversa com amigos profissionais; o urbanismo, mais precisamente, a conformação dos espaços públicos e privados das grandes cidades e como o espaço público desempenha um papel relevante na qualidade de vida da população.

Os espaços privados são de propriedade privada (pessoas ou empresas), ou seja, casas, lojas comerciais, escolas particulares. Os responsáveis pela manutenção e preservação, são os proprietários.

O Espaço público é aquele de uso comum e posse coletiva. São os espaços de circulação; espaços de lazer e recreação; espaços de contemplação; espaços de preservação e conservação e pertence ao poder público.

As cidades se tornaram um aglomerado construído por espaços privados. Esse adensamento ocorreu por grande interesse financeiro do setor imobiliário e também muitas vezes sem planejamento eficaz. Consequentemente os espaços públicos foram reduzindo e esquecidos.

O entendimento dessas questões foi a mola propulsora para que alguns profissionais saíssem do mundo das ideias e partissem para ações realmente eficazes na melhoria da qualidade da vida urbana.

Na busca de soluções criativas e principalmente vivenciadas, encontrei duas ações formidáveis: as VAGAS VIVAS e o PARKLET.

Vaga Viva consiste em uma ocupação temporária de algumas vagas de estacionamento de carros, transformando-as em área de convivência, de lazer e área verde. A primeira Vaga Viva do mundo foi uma iniciativa de um estúdio de arte, design e ecologia chamado Rebar em São Francisco / EUA no ano de 2005. Por duas horas, a vaga de estacionamento virou parque, numa iniciativa que inspirou o mundo.

 

Foto 01: Rebar/Divulgação.

A iniciativa teve repercussão mundial. Aqui no Brasil, na cidade de São Paulo, foi realizada pela primeira vez em 2006 no Dia Mundial Sem Carro.

Foto 02: São Paulo 2006 – Willian Cruz/VdB e Foto 03: São Paulo 2009 – João Lacerda.

Já no ano de 2013, o Rebar Group, através do arquiteto John Bela, desenvolveu um produto batizado de “Parcycle”. É bicicleta, jardim e espaço de convivência, tudo em um mesmo objeto. A ideia é permitir que as pessoas não só construam o seu próprio espaço de convivência, mas que também possam compartilhá-lo e carregá-lo para onde quiserem. Já passou por São Francisco (EUA), Copenhague (Dinamarca) e Baku, no Azerbaijão.

 

 

Fotos 04 e 05: Rebar Group/Divulgação

Quando essa ocupação temporária se torna permanente, passa a ser chamada de Parklet.

Parklet é uma extensão da calçada, normalmente se encontra em frente a restaurantes, galerias de arte, bares e cafés, com mesas e cadeiras onde as pessoas podem ficar. Mesmo sendo muitas vezes construído por iniciativa privada é doado ao poder público. Não é preciso consumir nada para ocupá-lo e todas as regras vigentes para demais áreas públicas estão valendo para esses espaços.

 

ALGUNS PARKLETS ENCONTRADOS PELO MUNDO

 

    Parklet na Alemanha.

Foto 06: Site Queminova.catracalivre

 

 

 

 

 

 

                                     Ocupação verde na Holanda.

                             Foto 07: Site Queminova.catracalivre

 

 

 

                                       Parklet em São Francisco.                                                                                               Parklet em Vancouver, Canadá.

                                      Foto 08: Site Eye4Design                                                                                                        Foto 09: Site Pinterest

 

 

Parklet Lift é um banco modular que possui uma área verde em formato de curva.

Fotos 10, 11 e 12: Site Parklet Brasil.

 

 

Parklet na Ucrânia.

Fotos 13 e 14: Site Parklet Brasil.

 

 

ESSA IDEIA AQUI NO BRASIL

 

 

Parklet na rua Padre João Manuel, Jardins em São Paulo.

Fonte: mobilidadesustentavel.

 

 

Parklet na rua Amauri, Itaim Bibi em São Paulo.                                                         Parklet na Alameda Tietê em São Paulo.

                                        Fonte: huma.                                                                                                                      Fonte: Soul Urbanismo.

 

 

Parklet desenvolvido pela Heineken em São Paulo. Fonte: Site Supefluonecessário.

Parklet em Ipanema no Rio de Janeiro. Fonte: Site Baumann.

 

 

Parklets em Recife. Fonte: Sustentarqui.

 

VALE A PENA INVESTIR NESSA CAUSA

Os avanços tecnológicos trouxeram muitos benefícios para a humanidade. A transformação das cidades é inegável. Vamos reapropriar os espaços. Fazer um resgate aos percursos do nosso dia a dia, criar espaços bonitos e agradáveis que podem servir para uma pausa, para um descanso, para encontrar um amigo, ler um livro.

Convido todos os leitores a continuar essa reflexão no próximo Design Essencial, evento idealizado pelo Senac, que nesse ano discutirá exatamente o tema – “Espaços de Convivência”.

 

Ana Luisa Brandine de Negreiros

Arquiteta e Urbanista com Pós-Graduação em Designer de Interiores

Docente de Design de Interiores do Senac Piracicaba

 

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