Plantas nativas no Paisagismo

O paisagismo contemporâneo busca cada vez mais expandir suas funções, contemplando não apenas a estética, mas proporcionando também qualidade ambiental no espaço urbano e buscando trazer equilíbrio ecológico ao ecossistema em que se insere o projeto. Dentro desta proposta, é comum encontrarmos projetos que buscam incorporar o uso de espécies nativas, em lugar das tradicionais exóticas que dominam o mercado paisagístico.

Espécies nativas são aquelas  que ocorrem naturalmente num determinado ecossistema ou região. Por serem plantas já adaptadas ao ambiente local apresentam menor necessidade de manutenção. Além disso, colaboram com a preservação da flora local e interagem com a fauna fornecendo alimento e abrigo para os animais da região. Vale lembrar que nosso Brasil é um país de dimensões continentais, que abriga a maior diversidade de espécies no mundo. São cerca de 43.020 espécies vegetais conhecidas no país, divididas em diferentes biomas como a floresta amazônica, o Pantanal, o Cerrado, a Caatinga, os campos dos Pampas, e a Mata Atlântica, cada qual com suas especificidades e vegetações nativas.

Dentre as plantas ornamentais mais utilizadas no paisagismo brasileiro, a maioria são espécies exóticas, ou seja, natural de regiões muito diferentes daquelas onde é cultivada. A introdução deste tipo de planta e seu uso frequente no meio pode trazer impactos negativos aos ambientes naturais, substituindo a flora local e causando uma redução  da biodiversidade.

O uso de nativas é uma das premissas do paisagismo sustentável, que busca uma maior integração do homem com a natureza de sua região, explorando aspectos culturais e sociais, além de objetivar reduzir o impacto negativo no ambiente e, se possível, contribuir para a recuperação de ecossistema degradados.

Muitas destas espécies tem enorme potencial paisagístico. No entanto ainda são escassos os estudos e pesquisas sobre o assunto, o que diminui a frequência de utilização. Há grande diversidade de espécies não exploradas, pois não conhecemos ainda suas necessidades e exigências, como luminosidade, adubação, adaptação ao solo, necessidade hídrica, e até mesmo como estas irão se comportar fora de seu habitat natural, quando utilizadas em arborização urbana, parques ou jardins. É preciso conhecer para cultivar!

Confira abaixo algumas espécies arbóreas nativas que podem ser utilizadas no paisagismo!

Cambuci –  (Campomanesia phaea)

Árvore pequena de 3 a 5m de altura, com copa alongada e ereta. Os frutos maduros podem ser consumida in natura ou utilizados na fabricação de geleias, sorvetes e sucos ou batidas deliciosos.

Cereja do Rio Grande (Eugenia involucrata)

Árvore frutífera e ornamental, comumente encontrada nos pomares e quintais tradicionais do sudeste do Brasil.

Aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius)

Atrai avifauna que se utiliza da planta como alimento e abrigo. De madeira resistente, seus frutos são usados na culinária como pimenta, conhecida como “pimenta-rosa”.

Araucária (Araucaria angustifolia)

Árvore símbolo do estado do Paraná, está ameaçada de extinção. É uma árvore belíssima e simbólica, produz o delicioso pinhão, alimento para humanos e pássaros.

Palmito juçara (Euterpe edulis)

Palmeira nativa da Mata Atlântica, prefere ambientes sombreados quando jovem. Atrai avifauna que se alimenta de seus frutos, folhas grandes bastante ornamentais.

Maria Fernanda Trientini

Eng. Agrônoma e docente de Paisagismo do SENAC Piracicaba

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