Arquitetura Inclusiva

Arquitetura Inclusiva

A arquitetura nasce para suprir nossas necessidades e durante décadas ela foi desenhada para um “homem-padrão”- conceito de desenho que toma o ser humano como unidade de medida. No entanto, as nossas necessidades nem sempre são iguais. Isso porque o mundo evolui e, sobretudo, somos indivíduos com características específicas, permanente ou provisoriamente: cadeirante, idoso, obeso, gestante, criança, etc.. Ao longo dos anos, percebeu-se que as pessoas com necessidades especiais precisavam adaptar as construções de acordo com as suas dificuldades.

Arquitetura Inclusiva

Quando profissionais da área de arquitetura e design passam a ter um olhar atento sobre a diversidade e incorporam novos conceitos e condutas, eles reaprendem a pensar o projeto. Dessa forma surge a arquitetura inclusiva, que procura respeitar as diferenças entre os seres humanos, gerando acessibilidade a todos em diferentes espaços.

A arquitetura inclusiva está relacionada ao conceito do Desenho Universal, que visa a concepção de objetos, equipamentos e estruturas do meio físico destinados a serem utilizados pela generalidade das pessoas, sem a necessidade de adaptações. O seu objetivo é simplificar a vida de todos, qualquer que seja a idade, estatura ou capacidade, tornando os produtos, estruturas, a comunicação/informação e o meio edificado utilizáveis pelo maior número de pessoas possível, a baixo custo ou sem custos extras. Assim, todas as pessoas e não só as que têm necessidades especiais, mesmo que temporárias, podem integrar-se totalmente numa sociedade inclusiva.

Arquitetura Inclusiva

A realização de um projeto em Desenho Universal obedece a sete princípios básicos:

  1. Utilização equitativa;
  2. Flexibilidade de utilização;
  3. Utilização simples e intuitiva;
  4. Informação perceptível;
  5. Tolerância ao erro;
  6. Esforço físico mínimo;
  7. Dimensão e espaço de abordagem e de utilização.

O conceito da acessibilidade foi incorporado ao universo da arquitetura a partir da NBR 9050/2004, que prevê o direito das pessoas com deficiência e amplia a abordagem para quem possui dificuldade em se locomover, como obesos, gestantes e idosos, ressaltando o conceito do desenho universal.

Arquitetura Inclusiva

  • A acessibilidade na arquitetura significa projetar espaços, sejam eles públicos ou privados, que atendam as demandas de necessidades sem deixar de lado o apelo estético e conceitual. Para que seu projeto seja inclusivo, tanto para pessoas que apresentam mobilidade reduzida quanto para idosos que necessitam de ambientes mais seguros, alguns itens são fundamentais:
  • Algumas medidas precisam ser respeitadas, como larguras mínimas de circulação e vãos de porta;
  • Mesmo que o empreendimento não contemple muitos andares, a inclusão de rampas, plataformas ou elevadores é imprescindível para que a locomoção seja facilitada.
  • As barras de apoio são alternativas de segurança para quem apresenta dificuldade em se locomover.
  • A ideia é planejar os ambientes com pisos antiderrapantes a fim de evitar acidentes e escorregões.
  • A iluminação automatizada é forte aliada de projetos que precisem de necessidades especiais.

O estudo e aplicação de alternativas na arquitetura inclusiva passa a ser tema obrigatório na grade curricular de cursos universitários e técnicos, com o intuito de formar profissionais capazes de atender às novas premissas e exigências. Os profissionais que desconhecem a prática da arquitetura inclusiva devem se reciclar e conhecer as suas inúmeras vantagens.

Arquitetura Inclusiva

No presente, o ideal é que os projetos caminhem lado a lado com a arquitetura inclusiva, se preocupando com o bem-estar do usuário, seja ele como for. No futuro, os projetos residenciais e públicos devem trazer o fim do homem padrão e considerar as mudanças que parte da população sofre.

Arquitetura Inclusiva

Senac

 

 

 

Roberta Crocomo Tozzi – Arquiteta e Designer de Interiores

Docente de Design de Interiores do Senac Piracicaba

Você também pode gostar de