FACHADA OESTE

Na Arquitetura a fachada oeste é um tema simples quando bem compreendida, por outro lado muitas pessoas incluindo profissionais desconhecem ou esquecem a sua importância e o seu impacto na eficiência do ambiente construído, seja ele um grande edifício ou um simples paisagismo. O problema é que os efeitos nocivos de um edifício mal projetado só podem ser notados após a construção, é ai que estamos colocando em risco o projeto, o conforto e o investimento de nossos clientes.


As propostas e soluções para fachadas estão diretamente ligadas à eficiência energética, e ela vem crescendo e ganhando força no mercado, atualmente as certificações e selos de sustentabilidade levam a fachada oeste muito a serio, chegando a inviabilizar todo um projeto apenas pela fachada oeste projetada de forma inadequada aos conceitos da chamada “arquitetura bioclimática”.

O Brasil possui a maior parte de seu território no hemisfério sul, com clima tropical e as altas temperaturas do verão que contribuem para que a fachada oeste se torne motivo de preocupação e muita atenção na hora de projetar e implantar o projeto no terreno.

Devemos sempre lembrar que o Brasil possui uma área de 8.514.876 km², fazendo com que o cuidado seja redobrado em certas regiões, já que temos climas e temperaturas bem diferentes no mesmo país.

E existem diretrizes de projeto para diferentes localizações, o sul, por exemplo, não é tão quente quanto o nordeste, na verdade o Sul chega a temperaturas baixíssimas e por esse motivo as técnicas construtivas e percepção de projeto tem que ser obrigatoriamente diferentes, mas nesse artigo vamos focar na grande parte do país é de clima mais quente.

Casa Cavanela

Vamos usar o exemplo da casa Cavanela, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. A residência esta localizada na região de Petrópolis – RJ, onde a temperatura é amena, com média anual de 19º C, a umidade do ar é considerada ideal.

A casa esta implantada no sentido norte/sul, deixando suas maiores fachadas em vidro desprotegidas e capitando intencionalmente a luz solar, para se manter aquecida.
Na imagem abaixo, invertemos a situação e simulamos a implantação da casa no sentido Oeste/Leste, o que seria adequada se a residência estivesse em Ribeirão Preto – SP, com temperatura média anual de 23,9 °C, a umidade do ar podem atingir níveis críticos, muitas vezes abaixo de 20%.

Vamos lembrar que fachada não é apenas a frente do edifício, fachada são todas as faces de uma edificação, na sua grande maioria são compostas de quatro e se contarmos a cobertura serão cinco fachadas, formando a envoltória do edifício.

Qual o problema do oeste?
Na verdade não existe problema, a questão é de que forma fazemos e o que fazemos com as áreas e ambientes que estão no oeste. Como já citamos, estamos no hemisfério Sul, e no verão recebemos abundantemente mais raios solares, aumentando as horas de luz solar, e a incidência dessa radiação passa ser maior e mais forte no oeste. Agravando o calor e aumentando a sensação térmica dos ambientes que recebem essa radiação.

Possíveis soluções

O arquiteto deve pensar em soluções para minimizar o impacto de insolação que essa fachada recebe, normalmente procuramos sempre deixar ela voltada a áreas de pouca permanência como circulação, depósitos, lavabos, banheiros e etc.

As aberturas devem ser reduzidas e pensadas em uma porcentagem média que corresponde a 20% da fachada, se mesmo assim for preciso ter maiores aberturas as soluções são básicas, trabalhe a fachada oeste criando barreiras que diminuem a insolação direta, como os brise soleil, que podem ser moveis ou fixos, laterais, horizontais ou sobrepostos, a opção de materialidade é enorme, desde madeira a concreto.

O importante é pensar que essa fachada recebe muita insolação e é preciso protegê-la.

Empenas

Imagem: Casa do morro querosene, Gruposp

Brises


Imagem: Sebrae Brasília-DF

Mais importante ainda é criar um sistema contra radiação oeste, basta combinar duas ou mais soluções técnicas na mesma fachada. Algumas delas são:

  • Pintura branca, além de refletir mais de 70% da radiação, algumas possuem microesferas cerâmicas e podem reduzir a absorção de calor em 35%, diminuindo a temperatura interna em até 7°C.
  • Vegetação, o uso de trepadeiras ou jardins verticais que são perfeitos para essas fachadas. As plantas absorvem todo o calor da radiação solar e não transferem para a edificação.
    – Cobogós ou chamados elementos vazados são quebra sóis e ainda permitem uma ventilação constante e natural.
    – Beiral ou varandas são soluções viáveis quando convém criar áreas externas nessas fachadas, mas desde que a sombra projetada seja apropriada.


Imagem: Casa na Praia Preta, Nitsche Arquitetura

Se você é um cliente converse com seu arquiteto sobre o assunto, ele é o profissional mais preparado para orientar e projetar sua casa.

Já construiu ou comprou uma casa? Também chame um arquiteto para te orientar nas soluções para melhorar o conforto do seu lar.

Dica Om!

Oriente a cozinha e quartos para o Sol da manhã, ele é ótimo para promover higienização desses ambientes, e quando chegar a noite seu quarto estará fresco. A lavanderia também pode ficar voltada para o sol matutino, já que no verão as chuvas são no final da tarde, assim você aproveita o sol para secar as roupa o ano todo.

Om shanti.

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