4 coisas que arquitetos nunca te contaram sobre as reuniões de projeto.

A apresentação de um projeto é sempre muito…. legal? interessante? estressante? curiosa? tensa?

 

Resolvemos escancarar o que há por trás das reuniões e acontece com 99% dos profissionais. Que atire a primeira pedra o profissional que nunca passou por isso antes e ainda respirou aliviado quando terminou a reunião com você, cliente!

1. O projeto (plantas, elevações, cortes, perspectivas e imagens 3D):

 

Projeto arquitetônico – Imagem da Internet

 

Nenhum projeto nasce do dia para a noite. As perguntas que fazemos para o briefing, ou seja, quais são as demandas e desejos dos clientes, são o nosso guia junto a um conjunto de regras, leis, normas técnicas, parâmetros de ergonomia e conforto (térmico, ambiental, acústico e lumínico), composição de insolação, estudo dos ventos predominantes, microclima local, composição de cores, texturas e acabamentos, e muitos outros itens que fazem parte do nosso universo.

Às vezes o projeto é linear, ele é criado e segue em uma direção única e tudo flui muito bem. Mas às vezes os revezes da vida e insights nos fazem tomar caminhos que jamais imaginamos e surgem propostas que só poderiam ter surgido após horas e horas de dedicação a este exercício tão prazeroso que é o ato de resolver problemas, ou simplesmente projetar.

O mais curioso é saber que em algumas vezes um projeto pode ser praticamente resolvido em apenas uma tarde, mas às vezes ele se torna aquela ideia que martela em nossas cabeças por dias e até semanas, e nas últimas horas antes de uma reunião é que conseguimos sintetizar todo aquele turbilhão de informações, definições, demandas, regras e, principalmente, emoção, porque haja emoção nas horas que antecedem uma reunião de projeto!

2. Materiais:

Moodboard – Imagem da Internet

 

Quando estamos em reuniões em que vamos falar sobre materiais de acabamento, texturas, cores e todas as composições, desde um pequeno ambiente como um lavabo até uma laje comercial de mais de 1000m², existe um trabalho que exige tanta dedicação intelectual que até soa como desrespeitoso quando alguém simplifica tudo como uma ‘simples escolha de materiais’. Ter em mente o resultado final esperado, principalmente o sensorial, é primordial para nós que lidamos com a experiência, pois a arquitetura é feita para ser vivida e sentida antes de ser descrita em palavras.

Quando seu profissional apresentar em uma reunião uma paleta de cores, com amostras de materiais e um painel de referências (ou moodboard), tenha certeza que o foco dele está além do que ele consegue explicar com as palavras, e que no final ele espera que você sinta a energia daquela mistura e responda sinceramente se é do seu agrado ou não!

3. A apresentação:

Apresentação – imagem da internet

 

Existem diversas formas de se apresentar um projeto, ainda mais agora com o auxílio da tecnologia. Podemos ter uma conversa debruçados sobre desenhos (feitos à mão ou impressos), mostrar a uma apresentação com imagens 3D (fotorealísticas ou não) e até utilizar um óculos de realidade virtual (VR) e entrarmos no seu novo espaço antes mesmo de ele existir!

Mas, e a preparação dessas apresentações? Pois é, correria de última hora na gráfica que insiste em dizer que seu arquivo está corrompido e você precisa voar para o escritório de volta e fechar novamente para mandar plotar (imprimir em grandes formatos), ou então o computador que resolve parar de funcionar no dia da reunião e sem querer não fizemos backup, ou se fizemos, onde foi parar aquele pen drive mesmo? (Ainda bem que temos a nuvem para nos salvar hoje!).

Existem muitas coisas que podem dar errado em um dia de reunião, e independente do tipo de apresentação escolhida, pode ter certeza que vai dar problema a menos de 1h antes de você (cliente) chegar para a reunião! Somos experts em suar frio, respirar e fazer acontecer, por mais que a gente se planeje!

4. Comunicação:

 

 

Nós arquitetos somos exigidos a falar desde o mais exigente dos clientes até o mais simples funcionário de uma obra, ou seja, nós somos exigidos a ter uma capacidade enorme de falar com um vocabulário rebuscado e simples ao mesmo tempo. Talvez seja por isso que nem sempre nós percebemos que utilizamos termos como pé-direito, oitão, partido, gabarito, empena cega, caixão perdido, compatibilização, traço do concreto, conceito, usuário, equipamentos e muitos outros que geralmente fazem com que você se pergunte se ouviu direito…

Acredite, nós não percebemos que precisamos fazer a tradução simultânea destas e de muitas outras palavras.

Imagem da internet

 

Por fim, nós estaremos lá à sua espera com um delicioso café para nos mantermos acordados, e não porque seu projeto não é interessante, mas porque tivemos que lidar com tantas coisas até chegar nesta reunião, que com certeza vamos relaxar e sentir um pouco de sono enquanto apresentamos seu lindo projeto!

PS – Aqui vai mais um item extremamente importante:

Dinheiro

Sim, dinheiro! E esse é um item que não é tanto um problema antes da reunião, mas durante e depois. Durante porque temos que perguntar o quanto você espera gastar com aquela reforma ou construção, e geralmente vem as respostas mais comuns como ‘ah, o mínimo possível’, ou então ‘não sei, mas não posso gastar muito’. Tem ainda a famosa ‘você não vai fazer um projeto caro, né?’.

A nossa aflição continua depois porque sabemos que os clientes têm um receio enorme de se abrir e serem francos com o arquiteto sobre o quanto pensam em gastar. Não que vocês não pensem sobre isso, mas existe a expectativa de que nós, reles profissionais e mortais, iremos solucionar todas as questões do seu projeto para caber no seu budget de R$ 4,99.

Brincadeiras à parte, não pensem que estamos contra vocês, e que se disserem que querem gastar 10 mil reais em um banheiro, nós o faremos gastar 12 porque somos pessoas sem noção mesmo e não pensamos no seu bolso. Quando fazemos este tipo de pergunta é justamente para poder fazer o eterno exercício do arquiteto de equilibrar demanda (briefing) com orçamento (budget), e assim chegar no melhor resultado dentro do que se é esperado e também dentro da viabilidade financeira!

Dedicamos praticamente 80% de nosso tempo a equalizar estas duas medidas, que com a criação ou o projeto executivo em si.

Só de imaginar que teremos que falar sobre dinheiro com clientes já começamos a treinar nossa cara de alface (sem expressão) para a hora que ouvirmos as frases que nos deixam em becos sem saída. É um eterno treino!

A relação com o dinheiro pede planejamento – imagem da internet

Dani Skubs e Paulo Capel

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