Série Grandes Arquitetas: Carmen Portinho, mostrando que mulher pode ir para onde quiser.

Engenheira, arquiteta, professora, pioneira e uma importante personagem da luta pelos direitos femininos no Brasil no século XX: dados que seriam suficientes para demonstrar os desafios que ela enfrentou para conquistar tamanho reconhecimento, mas sua história não acaba por aí.

Vida

Carmen nasceu na cidade de Corumbá (MT), em 26 de janeiro de 1903. Ainda jovem, mudou-se para Rio de Janeiro, época em que a cidade era a capital nacional. Este evento a fez entrar em contato com a vanguarda intelectual do país, em meio à efervescência artística criada pelo movimento modernista brasileiro. Diretamente influenciada por toda essa renovação, iniciou sua militância em prol do reconhecimento profissional das mulheres, sendo incansável mesmo com a imensa repressão que sofria.

No ano de 1926, concluiu sua formação em engenharia civil na Escola Politécnica da Universidade do Brasil, tornando-se a terceira mulher a se formar engenheira no país. Sua primeira construção foi a Escola Ricardo de Albuquerque, no subúrbio carioca. Ainda na década de 30, marcou presença no primeiro curso de urbanismo do Brasil (essa mulher era poderosa), recebendo poucos anos depois uma bolsa do Conselho Britânico para estagiar nas comissões que promovem a reconstrução das cidades inglesas destruídas pela segunda grande guerra. Chegou à Inglaterra em pleno combate, mas continuou firme no objetivo de solucionar o problema da carência de moradias, causado pelos constantes bombardeios aéreos promovidos por Hitler.

Ao retornar dessa aventura que fortaleceu ainda mais sua personalidade, trouxe para cá o conceito de habitação popular, assumiu a construção do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Mam-RJ) e, em 1966, criou a Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), uma conquista incrível para a época, já que poucas escolas de desenho industrial existiam no mundo. A mais famosa era a Bauhaus, na Alemanha (só para ter noção). O fim dessa brilhante carreira aconteceu em 25 de junho de 2001, com 98 anos.

Artista por excelência, tornou-se mulher, assim como Simone de Beauvoir sempre dizia. Ainda hoje é presença confirmada em nossos corações, pois empoderou as mulheres e projetou a arquitetura e a engenharia brasileira como poucas pessoas conseguiram.

Legado

MAM-RJ

Conjunto Habitacional do Pedregulho


Conjunto Habitacional Marques de São Vicente

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