Série grandes arquitetas (e arquitetos) – Achillina Bo Bardi

Achillina Bo Bardi. Mulher, arquiteta, designer, cenógrafa, editora, ilustradora. Nascida em Roma no ano de 1914. Consagrada em São Paulo muitos anos depois. Em tempos difíceis, não se ausentou. Dizia que o Brasil era sua pátria duas vezes, e foi com esse amor que contribuiu para o engrandecimento da arquitetura nacional.

Lina, como era chamada, não teve o mesmo reconhecimento em vida. Talvez seja a sina dos grandes artistas: ser lembrados somente após a morte. Mesmo assim, hoje é tema em muitas exposições, livros, artigos e estudos acadêmicos, fazendo com que sua obra e suas ideias permaneçam vivas.

História

Em 1940, forma-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma, muda-se para Milão e monta um escritório de projetos modernistas, que seria bombardeado três anos depois com a eclosão da segunda grande guerra. Após isso, funda com Bruno Zevi a publicação A Cultura della Vita, época em que conhece o crítico e historiador de arte Pietro Maria Bardi e com quem se muda definitivamente para o Brasil em 1946.

Em 1948, cria com o arquiteto italiano Giancarlo Palanti o Studio d’Arte Palma, que produzia móveis de madeira compensada. Porém seu papel de destaque seria consolidado em 1957, quando inicia o projeto para a nova sede do Masp, na avenida Paulista (concluído em 1968), mantendo a praça-belvedere aberta no térreo, com o arrojado, e belíssimo, e amado vão de 70 metros.

Torna-se ainda mais brasileira quando passa uma temporada em Salvador, entre 1958 e 1964, conhecendo os jovens artistas baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, líderes do movimento tropicalista no país. Com o início da ditadura, retorna para São Paulo e se empenha com maior fervor naquilo que sempre acreditou: uma arte voltada para a lógica popular. Fazendo isso até o até o fim de sua vida, em 1992.

Legado

Algumas das suas mais notáveis edificações demonstram influências industriais e modernistas, além de um experimentalismo com elemento brasileiros. São elas: o Museu de Arte de São Paulo (Masp), com vigas de concreto protendido e uma laje inteiramente suspensa por cabos de aço; o Sesc Pompéia, que utiliza concreto bruto na estrutura dos galpões e nas novas paredes cegas; a Casa de Vidro, nomeada assim por sua fachada de vidro que parece flutuar sobre pilares; e o Teatro Oficina, demonstrando a simplicidade e a clareza de sua obra. Lina ainda auxiliou para a arquitetura mineira e baiana.

Uma mulher que lutou por uma arquitetura sem segregação, que pulsasse liberdade e aproximasse os seres humanos.

Museu de Arte de São Paulo (Masp) – São Paulo

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Sesc Pompéia – São Paulo

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Casa de Vidro – São Paulo

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Teatro Oficina – São Paulo

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Solar do Unhão – Bahia

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Igreja do Espírito Santo do Cerrado – Minas Gerais

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Reforma do Palácio das Indústrias – São Paulo

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